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Mefistus

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Création : 08/04/2008 à 04:25 Mise à jour : 28/01/2012 à 13:45

Mefistus

Este Blog é o meu tubo de ensaio, onde vou "largando" contos, sempre na esperança de te cativar!
Entra, decalça-te, serve-te de um vinho...

Que venhas para ficar!

Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 5

 

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" Torciamos os gastos segundos, mordiamos os incontáveis minutos, atirávamos fora
  algumas horas.
  E depois? O que sobrava do tempo que não usamos?
  Canalha é o tempo na sensação de falsa grandeza!"
 
Monólogo a Juzante e Mais-Além.
Rogério Paulo Peixoto
 
A chegada à casa da dupla C.C. , como a brincar o "pai" chamara à Catarina e Carla foi para Mauro um momento algo confuso.
Havia passado um mês, praticamente entregue a treinos e a sessões de aptidão manual, a aprender como colocar a planta do pé de modo a não fazer barulho, a entreter-se a levar golpes de karaté no corpo todo, enquanto pacientemente o treinador ia descobrindo novos espaços do corpo para aplicar golpes e contra-golpes, enquanto ele tentava em vão ripostar, fôra sumetido a banhos de piscina com água gelada. Em resumo tivera um mês de cão e sempre se contivera por achar que segundo o que lhe havia chegado aos ouvidos, iria fazer parte de uma equipa de profissionais.
Imaginava na sa cabeça, num quadro algo abstracto, que os seus parceiros seriam indíviduos duros, irascíveis, capazes de degolar alguém só porque os olhava de lado e afinal ficou estupefacto a ver as duas raparigas, que surgiam timidamente como se o próprio respirar pudesse causar impacto nos presentes.
Na verdade, apesar de ele ainda desconfiar se não seria mais uma partida do líder, deciddiu alinhar com o "jogo" e tentar perceber qual a carta escondida no recrutamento destas duas jovens.
Repelindo a tendência para uma atitude arrogante e provocatória da sua parte, sentou-se no pesado cadeirão e sorrindo, manteve-se alerta.
Carla por sua vez, não percebia muito bem a presença de Mauro. Havia conhecido a Cat, percebera que o domínio dela em aspectos informáticos poderia vir a ser utilpara o grupo, se bem que durante a viagem, enquanto Cat tentava dar uma ideia de como poderia ser util e dos seus reais conhecimentos, Night dava por si perdida no decote dela, reparando na ausência de sutiã. tudo o resto que Cat pudesse dizer ou acrescentar em benefício próprio, já não estava ao alcance dos ouvidos de Cat, que inebriada pela chance de poder ver sempre um pouco mais do decote já não prestava a minima atenção ao que ela falava.
Criou-se deste modo, no seio da sala azul de mobiliário rústico mas com bom gosto, um certo desconforto nos recentes elementos, que foi notório quer para o empregador, uer para o restante séquito.
Perto do empregador, aquela ue tinha sido até aí treinadora de Mauro, não conseguiu contêra razõ dos seus pensamentos:
-Hum, grupo difíil!
-Pelos vistos...
-Pois, que parva sou! Já o esperavas.
-Evidentemnte.
-Mas enão, todo o treino individual de Mauro...
-Bem aproveitado. Mauro é diferente delas, vai ser o Sol do gruo. Elas os planetas que o rodeiam.
-Mas aquela ali, de nariz empinado...
-Um tesouro, nem imaginas a capacidade dela.
-Mas não entendo. Como pretendes uir este grupo? Parecem cachopos no intervalo da escola!
O empregador riu animadamente e vendo que de certa forma atraíra aas atençõesdo grupo, respondeu à pressa a sua interlocutora:
-Como conquistar um grupo de jovens? Pelo sexo e regras claro!
Embora de certaforma não estranhasse os métodos o seu chefe, ele não parava de a surpreender de com  um sorriso de malicia nos labios, estudou melhor o grupo, enquanto o empregador, assumindo o papel de verdadeiro anfitreão e de estratega do grupo, principiou a explanar as suas ideias:
-Tenho finalmente a familia reunida diante de mim, no que eu espero seja o início de uma relação intensa e proveitosa para todos nós. Podem inclusivamente achar que  entre vocês nada têm em comum, ou na pior das hipóteses, apelidar-me de louco por reunir um leque de "artistas" tão jovem e à priori com  pouco à-vontade para a realização das tarefas a que me propus...
O empregador era amante das pausas forçadas, uma técnica que desenvolvera naturalmente na sua ex-actividade de professor universitário. Era segundo ele a melhor forma de o cérebro assimilar as palavras chave  da sua mensagem:
-Contudo não me restam muitas duvidas sobre as vossas capacidades. É a pluralidade de todos os vossos talentos, que ubidos, compactos e guiados serão apenas um. É pois imprescindível ue entre vós reine o espírito de coesão e de grupo que estou certo cada um de vocês cultivará à vossa maneira.
Num sorriso sarcástico, Mauro interrompeu:
-Julgava que tinha destinado para nós, ou pelo menos para mim, grandes voos , grande dinheiro, muita fama, mas vejo que está mais interessado em "brincar aos grupinhos". Sinceramente não vejo grande utillidade de todo o treino que me foi colocado à disposição.
-Treino? Bem pelo menos alguem andou ocupado por aqui. - Ripostou prontamente Night.
-Meus caros, não cometam o erro dos vossos adversários. não caiam no erro de julgar o produto apenas pela embalagem. Estou certo que quando perceberem ao certo aquilo que de vocês eu pretendo e quando tomarem contacto com as novas tarefas no "campo de batalha" , irão perceber que dificilmente poderão ser batidos.
Mauro remoeu algo inaudível e teve a intenção de se levantar e Night, que o fuzilava com um olhar agressivo ira tambem ela abandonar a sala, quando sentada camamente no sofá castanho, num tom de voz super calmo, Cat esclareceu:
-Vocês perdoem a minha pergunta, mas acaso tinham algum outro plano inadiável? Ou seja, sinceramente, o que estão a pesar na balança? Eu por mim falo, nada mais me resta de util do que aproveitar esta oportunidade, conduza ela aonde conduzir. -Sorriu nervosamente e continou - No meu vêr esta é a grande chance de se não fizermos algo verdadeiramente incrível, pelo menos aprender, treinar, convivêr, explorar. Caramba, estamos prestes a desafiar tudo e todos e vocês já estão com medo?
Os dois jovens entreolharam-se  e sem proferir qualquer palavra, voltaram a ocpar os seus lugares.
Sempre em pé, o empregador sorriu diante da participação de Cat e vendo que os ânimos serenaram , marcou mentalmente um ponto a favôr dela. Cat seria sempre a voz da consciência do grupo, e este grupo bem precisava de uma voz assim. Compreendia-se agora  a necessidade da presença de Cat no grupo:
-Como eu afirmei a cada um de vós, a decisão é vossa. São livres de abandonar o projecto em qualquer altura. Ninguem e muito menos eu, vos tentará dissuadir da vossa decisão. Terão até ao fim do dia de hoje, para decidirem se continuam ou não. Até lá, serão meus convidados! Contudo, caso permaneçam, posso adiantar desde já, que haverá regras e a obrigatoriedade do seguimento de certos preceitos. Uma vez acordada a vossa permanência nesta casa, serei dono e senhor de cada um de vós, enquanto puderem ser uteis ou enquanto eu quizer. Duvidas?
Mauro achou que tinha uma meia dúzia de dúvidas, mas perante o olhar ameaçador de Night, optou por se levantar e se retirar para os eu quarto, indiferente ao resto do serão.
 
O tempo haveria de cozer, com um fio-de-pesca invisível as personalidades de cada um deles!
 
 
 
 
 

 
 
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#Posté le vendredi 27 janvier 2012 16:22

Modifié le samedi 28 janvier 2012 13:45

Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 4


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 "Que a nossa hora há-de vir, que a gente há-de ter um dia em que há-de poder dormir, e não ouvir, não ver, não compreender nada."
 
Florbela Espanca
 
Havia nele um misto de ansiedade e de nostalgia, que lhe ensombrava a sua ultima semana de trabalho. Era contudo nas pequenas coisas rotineiras, que sentia o toque especial da despedida, que cheirava os ultimos odores de uma carreira incerta, sem grandes sobresaltos até um fatídico dia.
Teixeira tinha iniciado a sua actividade como agente da Polícia Judiciária aos vinte e um anos como polícia de rua, de giro, de turnos sem grande responsabilidade.
Orgulhava-se de nunca ter sido destacado para outra cidade e de conhecer todos os cantos da sua cidade Invicta. Nunca tivera, no entanto, um verdadeiro caso, uma grande detenção, um grande assombro.
Já na polícia casara com uma farmaceutica, tivera dois filhos seis anos depois viu-a abandonar o lar de mão dada aos pequenos, mudou de casa duas vezes,enterrou-se no vício da Sueca, como jogo de sorte ou azar e excepto o seu charuto do fim da tarde, não tinha outro vício.
No fundo, nunca esperou grande coisa da vida e muito menos da sua carreira. Era aquele tipo de pessoa que apenas se dava por feliz, se mantivesse a sua rotina, se se mantivesse no seu canto, se se mantivesse a sombra de tudo.
Via os colegas de giro a serem promovidos, via os jovens cheios de ambição a subirem na hierarquia e com um laivo de felicidade sentia-se orgulhoso por se manter fiel às ruas, ao seu quotidiano.
Existira contudo um momento, em que pressionado pela mulher, sonhou um pouco com um gabinete, uma placa de metal com o seu nome, o título de inspector ou detective, um melhor salário!
Mas para isso teria de se aplicar e isso soava-lhe a trabalhar afincadamente, pelo que de início usou o estratagema familiar de que os outros é que tinham cunhas, é que eram lambe-botas e tal. Mas como poderia simplesmente dizer à mulher que no fundo, aquilo que ele não queria era dar-se ao trabalho!
Desprovido de ambição, era contudo um ser honrado. jamais tinha aceitado subornos, e era obcecado pelos procedimentos, pelos pequeos pormenores, incapaz de quebrar as regras.
Na esquadra era conhecido por ser um profissional atento, íntegro e até por vezes severo com a falta de uma assinatura de um colega num formulário. A unica paixão que tinha era toda ela vocacionada para a sua farda. Á noite, antes de se deitar, dedicava-lhe toda a atenção, engraxando os sapatos meticulosamente,analisando as calças se tinham vincos ou estavam amarrotadas, perdendo tempo sentado a polir o distintivo.
Gostava de se fardar ao espelho, de se barbear com ela vestida, de aparar meticulosamente o bigode, de se sentir uma verdadeira figura de autoridade.
Porem um dia cometeu um erro, um grave erro que iria para sempre mudar o resto da sua carreira. teixeira, num dos seus habituais giros foi surprendido por um assaltante em fuga. Nunca na sua carreira tivera de usar a arma e muito menos procedera a uma perseguição e ao vêr o miliante a correr na sua direcção, de arma na mão, tremeu. Ficou mesmo momentaneamente paralisado. Chegou a pensar que se fechasse os olhos, se disfarçasse, se o ignorasse, talvez a situação se resolvesse por si.
O indíviduo viu-o, ergueu a arma e talvez por instinto, talvez por necessidade de sobrevivência, sacou a arma, procurou abrigo numa viatura estacionada e encoberto, disparou.
O som do disparo ecoou no ar, cortando o habitual barulho citadino e três minutos depois, o corpo caía pesado sob a calçada.
A mão tremia-lhe, a testa revestia-se de suor frio e a cabeça latejava-lhe. Sem perceber bem como, deixou-se cair sentado, fixando o rosto ensaguentado do seu opositor e pela primeira vez na sua vida chorou.
A coisa podia ter corrido da pior maneira possível, caso o tal assaltante não tivesse baleado uma grávida durante a fuga. Sendo assim, foi esquecido por toda a esquadra o facto de ele não ter disparado para o ar, o facto de não ter gritado " polícia, Alto!". Mais leve tudo se tornou, quando se constatou que a vítima baleada era a esposa do chefe da esquadra e subitamente, Teixeira era aclamado de heroi, dono de um imenso respeito na esquadra e prontamente promovido. Numa promoção em flecha, directo ao topo.
Desde esse fatídico dia, o pesadelo de Teixeira ganhara forma. Passou a ser convidado para tudo o que era jantar social, passou a ter destaque na imprensa, a ter tempo de televisão .As suas tardes de Sueca, foram substituidas por terapia num psicólogo e deixou de ter tempo para o seu charuto ao fim da tarde.
De forma a preencher o seu horário de serviço, atafulhava-se em papeis, em preenchimentos de modelos IN 34, AS 45, coisas morosas e bafientas,que o prendiam à secretária, que o retiravam das ruas e lentamente deixou de usar farda, como tal ,cortou o bigode, pois já não tinha farda para o enquadrar, deixou de usar sapatos de verniz e engordou oito quilos.
Durante os ultimos três anos revia mentalmente a cena que o catapultara para aquele Inferno, nunca percebendo o que raio levou o miudo a apontar-lhe a arma. Caramba, se ele próprio se havia chegado para a parede para o deixar passar. Era como estender-lhe uma passadeira e dizer, "Run,bitch Run!".
Frequentemente olhava-se ao espelho, tentando construir a expressão facial que poderia ter usado diante do miudo...Talvez o meu ar sério o tenha assustado, concluia em pensamento límpido.
Três anos para a reforma, três anos agarrado a uma secretária à espera do fim do tempo. Á espera do seu ultimo dia, para então permitir-se a si mesmo um pouco de sossego.
Agora que se queimavam os ultimos cartuchos da sua reforma, sossegava um pouco mais e a ansiedade fazia-o desesperar pelo ultimo dia, como o primeiro oxigénio a entrar nos pulmões de um recem-nascido.
O tempo, quando menos se espera, pode na verdade ser o nosso pior pesadelo e mal sabia Teixeira que seria forçado a adiar a sua reforma, num improvável golpe do destino.
 
 
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#Posté le vendredi 06 janvier 2012 17:23

Modifié le jeudi 12 janvier 2012 02:49

Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 3

 
 

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Se emprego tantas horas para me convencer de que tenho razão, não será que exista alguma razão para ter medo de que eu esteja equivocada?
 
Jane Austen
 
Num gesto intuitivo o advogado deixou a Parker prateada cair vagarosamente por entre os seus dedos e pacientemente, permaneceu absorto no primeiro relatório que lhe tinha sido entregue, indiferente ao corpo cilíndrico da caneta que rolava pelo tampo da secretária de Pinho.
Sem querer dar a entender ao seu visitante que estava incerto sobre o que lia, emitia umas palavras ocas de sentimento enquanto o lia, como :Hum,pois estou a vêr, sim!
Tentara por duas vezes perceber qual o enquadramento dos selecionados e porque alguem que era conhecido no mercado pelo recrutamento exacto dos seus colaboradores, lhe apresentar aquela lista.
Contudo, ao contrário dele, aquele a quem chamam de empregador, mantinha-e sorridente, confiante e nada incomodado com os olhares interrogativos do advogado.
Na verdade era exactamente essa atitude, que colocava ainda mais o advogado incerto sobre o que lia. Não aguentando muito mais, disparou timidamente, num tom de voz cortante:
-Segundo depreendi pelas suas palavras, esta é a sua equipa?
-Digamos que é o núcleo duro. Sim, essa é a minha equipa. faltam dois elementos, mas esses são recentes e não vão fazer parte da equipa.
-Dois elementos? Mas aqui no relatório só descrimina três.
-Exacto. Os restantes dois, são apenas colaboradores. Não se preocupe, esses ficam por minha conta.
O advogado voltou a relêr certas particularidades do relatório que havia préviamente sublinhado e num franzir do sobrolho, esclareceu:
-Correcto.mas se bem se recorda é da sua obrigatoriedade mencionar todos os factos e pessoas no relatório.
-Não, não é! - O empregador sorriu ainda mais abertamente.
-Como?
-Se bem me recordo os termos da discrição dos meus "funcionários", celebrados em contrato diziam apenas respeito aos elementos que procederiam à tarefa para a qual os senhores me contratarm. Estes dois elementos nada têm a ver com isso e já trabalham comigo há anos.
-Mas estão ao corrente da missão!
-Não.
-Não?
 -Não fazem a mínima ideia do que se trata.
-Se você o diz....
-Garanto!
O advogado ergeu-se pesadamente e acendendo um charuto, estudou por breves momentos o rosto do empregador. Depois, como se o fumo que retia na boca o agredisse, soltou-o em rápidas baforadas e adiantou a sua interpretação do relatório:
-Acerca da sua equipa,confesso que não fiquei muito impressionado!
-Não vejo porquê? - Inquiriu abertamente o idoso sujeito.
-Bom para começar temos um fulano carteirista de rua, com propenssão esquizofrénicas, aparentemente sem cultura geral e noto que não faz nenhuma referência ao seu estado físico. Se nos recordarmos que precisamos de um indíviduo capaz de trepar paredes e talvez se envolvêr em algum confronto físico, não me parece uma boa opção.
Pacientemente o empregador deixou o seu interlocutornuma espécie de suspense e esclareceu:
-Esse carteirista é tão somente um dos miudos mais habilidosos que já vi. As suas mãos são harmónicas e os seus gestos seguros. Alé do mais ele tem um certo prazer pessoal no saque e na vitória quando o mesmo é muito bem sucedido. Eu sei que vamos ter algumas missões delicadas, mas quanto ao aspecto físico não tem de se preocupar. A eskizofrenia é controlada, apenas semi-latente e devo acrescentar que ele nutre uma preocupação acima da média pelas pessoas que o rodeiam.
-Pode ser, mas não precisamos de um Samaritano...
-Não me deixou acabar - interrompeu o empregador-, além de tdo ele tem uma capacidade única. Ele pode ser qualquer pessoa sem muitas modificações. Pode ser um pescador e dez minutos um bancário. Creio mesmo que o cinema perdeu um grande talento.
O advogado pareceu hesitar e sem se dar por vencido, avançou:
-Depois aresenta esta raparia perfeitamente desiquilibrada com traços de nínfomaníaca. Nem me passa pela cabeça os seus critérios de selecção...
-Essa rapariga foi uma feliz descoberta. Tem uma personalidade forte, uma cltura geral acima da média, (algo raro nos tempos que correm) e acima de tudo, um poder de sedução, capaz de fazer abrir todas as carteiras de milionários. Com o treino físico certo, pode ser uma Ranger!
-Isso duvido, a menos que os exercicios sejam deitados.
O empregador pareceu ficar deveras ofendido e num gesto intuitivo ergueu-se e voltou as costas ao advogado:
-Por fim este ultimo elemento, embora perceba que é importante ter alguem que perceba de computadores, esperava contudo alguem mais atlético, mais dado a desportos radicais, alguem no fundo, mais atleta.
-Recordo-lhe caro Doutor que não iremos disputar os Jogos Olímpicos, mas sim ousar executar os golpes mais difíceis do mercado e que se correr mal,teremos diáriamente a polícia e sabe-se lá quem mais no nosso encalço.O que estes três indíviduos têm de fenomenal, é o facto de qualquer um deles não ter rigorosamente nada a perdêr e estarem habituados a pressão.
-Mas mesmo assim, que diabo homem....Um eskizofrenico, uma puta e uma totó de informática? Nunca apostaria nem um euro neles.
O empregador sorriu, sentou-se calmamente e pegando na Parker do advogado, entregou-lha com um sorriso, e a meia voz convidou:
-Vamos tornar isto interessante? Passe um cheque em branco!
-Em branco?
-Claro. Afinal não acabou de afirmar que têm uma confinça cega em que não seremos bem sucedidos? Prove-o!
Percebendo que tinha falado demais e talvez pisando o orgulho do empregador Archer Leite , compreendeu igualmente que não poderia voltar atrás, mas apoiando-se na sua retórica, defendeu:
-Pois bem, em branco não que seria insultuoso para a sua equipa, mas digamos, colocar um valôr que possa estabelecer o orgulho na sua equipa. Trinta mil euros parece-lhe bem?
O empregador sorriu e abrindo o casao, tirou o livro de cheques e passou um cheque de igual valôr.
-Muito bem, os dados estão lançados. Dentro de um mês a minha equipa inicia o primeiro golpe.
O tempo é a incógnita do Homem actual e nquele lugar os dois homens faziam contas de cabeça ao tempo que faltaria para um dos cheques ser depositado.
 
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#Posté le vendredi 30 décembre 2011 15:17

Modifié le vendredi 30 décembre 2011 16:40

 
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#Posté le vendredi 23 décembre 2011 04:12

Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 2 - Parte 5

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"O verdadeiro pode por vezes não ser verosímil."
 
Nicolas Boileau
Escritor/Poeta/Crítico
França
1636 // 1711
 
 
 
Das primeiras vezes em que por acidente tinha acedido ao PC da empresa que despedira o seu pai, através do conforto da sua casa,não se dera conta de que acabava de descobrir um meio perfeito e provocar o caos e baralhar toda uma logística de entrega de medicamentos urgentes.
Tinha sido, de facto,  um perfeito golpe de sorte, o modo como conseguiu entrar e piratear o servidor da empresa, mas ao fazê-lo e percebendo rápidamente como o poderia repetir sempre que quizesse, iniciou um longo périplo virtual , não só para se aperfeiçoar no mundo da pirataria informática, como igualmente para castigar os causadores do divórcio dos seus progenitores.
Haviam passado já três anos e se de início ainda sentia certas dificuldades em contornar as FireWalls de protecção da empresa, agora agia quase mecanicamente graças a dicas dadas pelo Ghost, um amigo virtual que conhecera numa sala de chat para Hackers.
Já não era propriamente uma inexperiente ou novata, considerando-se inclusivamente como um pequeno génio em ascensão. Bem, talvez fosse por necessidade de afirmação, ou talvez fosse o trauma de sobreviver a um lar desfeito, que ascendia a sua imodéstia para graus estratosféricos.
A verdade era mais cruel do que aquela que se dera conta, pois não existia mundo qualquer para ela para além do monitor e do mundo virtual.
Com vinte anos abandonara a faculdade, abandonara a casa dos pais, cansada de ser moeda de troca entre eles, investira as suas fracas economias que amealhava a servir às mesas, durante as pesadas horas de expediente ou tão somente a praticar pequenos furtos.
Uma coisa levava a outra, pensava ela, enquanto copiava apressadamente os Visas que conseguia apanhar como pagamento no restaurante.
O processo era bastante simples, dado que para compras online não precisava do cartão propriamente dito, usava uma espécie de plasticina especial no bolso, onde apertava a face do visa e anotava discretamenteos ultimos numeros atrás do cartão, no seu bloco de notas.
De resto, limitava-se a aguardar duas semanas e então acedia ao pagamento on-line do que queria, usando os numeros do cartão e encaminhando essas encomendas para um dos três apartados que criara em estações de correios diferentes.
Só tinha de estar atenta às 3 regras de ouro:
 
1- Nunca usar o mesmo cartão mais que duas vezes seguidas no mesmo site.
2- Ter o cuidado para o cartão não ter sido dado como perdido e assim anulado
3-Nunca encomendar no mesmo site para o mesmo apartado.
 
Depois de conseguir o que queria acabava por se livrar dos números e na inocência própria de quem se julga superior, achava que era o crime perfeito.
Rapidamente saltava desse PC e dessa empresa, para outras mais interessantes e bem mais aliciantes, esquecendo-se porem que inevitávelmente deixava uma pegada, um rasto e que se fosse assim tão fácil a um jovem entrar e não ser apanhado, com a pouca prática que ela ainda dispunha , então qualquer jovem seria um Hacker.
O convívio com Ghost abriu-lhe um pouco os olhos e a intensidade dos seus golpes foi diminuindo drásticamente, Havia chegado à conclusão que ainda precisaria de muitos anos  e de melhor Software para se lançar neste mundo.
Houve secretamente e sem a empresa de medicamentos urgentes dar por isso, um período de tréguas , uma paz serena com ela metida na biblioteca mais próxima, ou escondendo-se num canto da livraria pesquizando tudo sobre informática, sem ter necessáriamente de comprar o livro.
Mas nesse dia em particular, em que já acordara irritada, apesar de ter escolhido como banda sonora a sua música favorita dos The Verve, não resistiu a ir " espreitar" a sua fiel inimiga, não sabendo minimamente que do outro lado, a inimiga já havia recrutado para os seus quadros, um expert em informática com linha directa à esquadra mais próxima.
No fundo durante semanas esse técnico esperava diáriamente a  "visita" dela, para conseguir algo que lhe pudesse identificar o atacante.
Em segundos, o IP dela surgiu visível no monitor, e Ghost irónicamente o expert contratado, limitou-se a encaminhar a informação, sem suspeitar que aquele IP pertencia a Traffic Cat, a sua amiga virtual.
Três horas depois, Catarina ( ou Cat), era levada para a esquadra e aguardava nervosa, pela decisão do inspector de queixo duplo, que a encarava visívelmente contrariado:
-Vejamos, devo reconhecer que tens algum talento, mas estás metida numa embrulhada, miúda!
-Tenho direito a um advogado?
-Para que queres um?
-Não estou a ser acusada de um crime?
O inspector esfregou o queixo desconfiado e encolhendo os ombros soltou num monólogo:
-De repente até um jovem sabe a que tem direito. Diabos levem as séries americanas....Ouve miúda, não sei exactamente o que vai nessa tua cabecinha, mas profanar um servidor de uma empresa não é própriamente um delito de elevado grau.
Silenciosamente ela sorriu. Achava que de certa forma haviam descoberto os outros seus golpes e constatava agora que apenas estava a ser detida pela vingança contra a ex-empresa onde o seu pai trabalhara:
-Não sou culpada. Foi um acidente , apenas isso e sentir que podia meter o nariz maravilhou-me.
-Pode ser, mas não deixa de ser crime...
-Acredito. Mas se fôr a tribunal, dada a falta de legislação específica nessa matéria, o Juiz decidirá pelo recurso a casos análogos.
-Ah sim?
-Evidentemente. E pelo que enho constatado, casos desta natureza, apenas comportam algum trabalho comunitário.
-E achas isso leve?
-Não necessáramente. Mas atendendo ao facto de que não me pode prender, apenas e quando muito, dar o termo de identidade e residência e atendendo ao tempo que o processo demora a ser preparado e julgado, contando com o facto de haver recursos. Em três anos estou a ser condenada e por essa altura, já a empresa percebeu que gastou dinheiro a mais para nada e retira a acusação.
Sem emitir qualquer juizo de valôr, o inspector assobiou baixinho, coçou uma vez mais o queixo e suspirando, inquirindo:
-Estás muito bem informada para empregada de mêsa!
-Não me diga que o facto de ser empregada de mêsa, me obriga a ser burrinha?
-Não, não é isso. Só digo que com essa calma e esse à-vontade, podes ser ...
-Posso ser?
O inspector levantou-se perante a entrada do sujeito ao qual havia ligado horas antes:
-Empregador, esta é a miúda que lhe falei! - Disse ele apontando para Cat com ar orgulhoso.
O sujeito sentou-se confortávelmente e encarando-a sorriu, para acrescentar num tom de voz baixo:
-Olha, queres vir trabalhar para mim?
-Trabalhar?
-Bem, talvez não seja trabalho. Talvez no teu caso seja prazêr!
-Mas, não estou detida?
-Porquê? - Inquiriu o inspector sorrindo.
-Então a invasão ao PC da empresa?
-Qual empresa? - Inquiriu o inspector rasgando o processo.
-Mas...
-O facto - Disse calmamente o Empregador - é que a empresa a que te referes aceitou uma contrapartida financeira para esquecer esse teu pequeno acidente, com uma condição!
-Ah sim?
-Que trabalhes para mim. Vais vêr que vai valêr a pena.
-E o que tenho de fazer?
-Estar diante de um computador a fazer aquilo que melhor sabes.
-Só isso?
-Agrada-te?
Ela levantou-se atónita e sem medir as palavras soltou:
-Foda-se então não?
 
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#Posté le vendredi 16 décembre 2011 16:19

Modifié le vendredi 16 décembre 2011 18:20

Ses archives (281)

  • ven. 23 décembre 2011
  • Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 2 - Parte 5 ven. 16 décembre 2011
  • Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 2 - Parte 4 ven. 09 décembre 2011
  • Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 2 - Parte 3 ven. 02 décembre 2011
  • Quantos minutos tem um segundo? - Capítulo 2 - Parte 2 ven. 25 novembre 2011
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